Publicado originalmente no livro O Estranho, “Em maio” está presente na seleção de poemas Luz & Breu, de Oswaldo de Camargo.

Foto | Marcelo Ximenez

Publicado originalmente no livro O Estranho, “Em maio” está presente na seleção de poemas Luz & Breu, de Oswaldo de Camargo. Lançamento confirmado para o segundo semestre de 2017.

Boa leitura e reflexão.

 

Em maio

Oswaldo de Camargo

 

Já não há mais razão para chamar as lembranças

e mostrá-las ao povo

em maio.

Em maio sopram ventos desatados

por mãos de mando, turvam o sentido

do que sonhamos.

Em maio uma tal senhora Liberdade se alvoroça

e desce às praças das bocas entreabertas

e começa:

Outrora, nas senzalas, os senhores…”

Mas a Liberdade que desce às praças

nos meados de maio,

pedindo rumores,

é uma senhora esquálida, seca, desvalida

e nada sabe de nossa vida.

A Liberdade que sei é uma menina sem jeito,

vem montada no ombro dos moleques

ou se esconde

no peito em fogo dos que jamais irão

à praça.

Na praça a Esperança se encolhe

ante o grito: “Ó bendita Liberdade!”

E esta sorri e se orgulha, de verdade,

do muito que tem feito…

 

Oswaldo de Camargo é jornalista, escritor e ativista da cultura afro-brasileira, Oswaldo foi um dos fundadores do Grupo Quilombhoje, coletivo de autores voltados para a publicação, a discussão e a divulgação da literatura negra no Brasil. Autor dos livros O Negro Escrito – Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira (estudos literários); O Carro do Êxito (contos); O Estranho(poemas); A Descoberta do Frio (novela); Oboé (novela), Raiz de um Negro Brasileiro – Esboço Autobiográfico (memórias); Lino Guedes: Seu Tempo e Seu Perfil, entre outros. Por seus estudos sobre o poeta negro simbolista Cruz e Sousa recebeu, em 1998, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, a Medalha de Mérito Cruz e Sousa; e, pela presença e atuação na literatura negra no Brasil, recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares, em 2013, pela Câmara Municipal de Salvador (BA). Em outubro de 2015, foi-lhe outorgado o título de cidadão paulistano, em Sessão Solene na Câmara Municipal de São Paulo. É conselheiro do Museu Afro Brasil, em São Paulo.

Cuti e Vera Lopes lançam livro em Porto Alegre!

EM PORTO ALEGRE!

Casa de Cultura Mário Quintana e Ciclo Contínuo Editorial convidam para o lançamento dos livros “Tenho medo de monólogo & Uma farsa de dois gumes” e “Negrhúmus líricos”, do escritor Cuti.

O evento será realizado dia 10 de maio (quarta-feira), 19h, na Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Porto Alegre. A entrada é franca.

Programação:

Leitura dramática da peça “Tenho medo de monólogo” – com a atriz Vera Lopes e Cuti Silva.

Apresentação lítero-musical Negrhúmus líricos” – com Mariana Per & Renato Gama.

Realização | Casa de Cultura Mário Quintana – AACCMQ – Banrisul – Governo do Estado Rio Grande do Sul.
Apoio | Ciclo Contínuo Editorial

Dia 10 de maio de 2017 | 19h
Local |Casa de Cultura Mário Quintana – Rua dos Andradas, 736 – Porto Alegre

Sobre o autor

Cuti é pseudônimo de Luiz Silva. Nasceu em Ourinhos-SP. Formou-se em Letras (Português-Francês) na Universidade de São Paulo, em 1980. É Mestre em Teoria da Literatura (1999) e Doutor em Literatura Brasileira (2005), pelo Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Foi um dos fundadores e membro do Quilombhoje-Literatura de 1983 a 1994 e um dos criadores e mantenedores dos Cadernos Negros de 1978 a 1993, série na qual publicou seus poemas e contos em 37 dos 38 volumes lançados até 2015. Tem também publicado diversos textos em antologias, incluindo ensaios. Seus poemas já foram traduzidos para diversas línguas, entre elas, inglês, espanhol, alemão.

Sobre a coautora

Vera Lopes é atriz e também formada em Direito. Faz parte do Grupo Caixa Preta, no qual atuou nos seguintes espetáculos: Transegun, do escritor Cuti (2003), Hamlet Sincrético, criação coletiva (2005), ambas as peças com direção de Jessé Oliveira. No cinema, depois de sua estreia em O dia em Dorival encarou a guarda (1986), atuou também em Da colônia africana à cidade negra (1994), Neto perde sua alma (1998), Antes que chova (2009), dentre outros. Tem se dedicado a recitais de poesias.

Foto divulgação | Antonio Terra

Oswaldo de Camargo participa do encontro Diálogos Ausentes, promovido pelo Itaú Cultural, no dia 09 de maio (terça-feira)

 

Foto | Arquivo Ciclo Contínuo

A série Diálogos Ausentes realiza o segundo encontro (de três) de seu ciclo de debates voltados para o campo da literatura, no dia 9 de maio, às 20h. Criada para pensar a obra e a presença de artistas negros em diferentes áreas de expressão, a série já abordou a dança, o teatro, as artes visuais e a produção audiovisual.

Participam do encontro a artista plástica e escritora Mariana de Matos e o jornalista, escritor e ativista da cultura afro-brasileira Oswaldo de Camargo. O evento ainda abre espaço para que dois artistas, selecionados por meio de uma chamada aberta, falem para o público sobre a sua produção. São eles: Janine Rodrigues Nascimento e Roniel Felipe.

A mediação será de Diane Lima, idealizadora do programa AfroTranscendence, que promove a cultura afro-brasileira contemporânea por meio de uma imersão em diferentes processos criativos.

Mariana de Matos
Artista plástica e escritora mineira, Mariana é bacharel em artes (2009) pela Escola Guignard, Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG). Pesquisa arte, literatura e sociedade e se dedica à tradução do cotidiano pela perspectiva da poesia. Nos últimos anos, tem se ocupado da fusão nos campos entre imagem e palavra. Desenvolve trabalhos em pintura e costura, interferência em madeira, livros de artista, arte relacional, cadernos literários, ações, performances literárias e intervenções poéticas urbanas. Tem como objeto de pesquisa elementos do cotidiano, retratos, relações de poder em sociedade e pensamento descolonial. Desenvolve há seis anos o projeto Poesia como Paisagem, proposição literária que busca investigar e mediar a relação entre indivíduos e detalhes comumente despercebidos na cidade.

Oswaldo de Camargo
Jornalista, escritor e ativista da cultura afro-brasileira, Oswaldo foi um dos fundadores do Grupo Quilombhoje, coletivo de autores voltados para a publicação, a discussão e a divulgação da literatura negra no Brasil. Autor dos livros O Negro Escrito – Apontamentos sobre a Presença do Negro na Literatura Brasileira (estudos literários); O Carro do Êxito (contos); O Estranho (poemas); A Descoberta do Frio (novela); Oboé (novela), Raiz de um Negro Brasileiro – Esboço Autobiográfico (memórias); Lino Guedes: Seu Tempo e Seu Perfil, entre outros. Por seus estudos sobre o poeta negro simbolista Cruz e Sousa recebeu, em 1998, da Secretaria de Cultura de Santa Catarina, a Medalha de Mérito Cruz e Sousa; e, pela presença e atuação na literatura negra no Brasil, recebeu a Medalha Zumbi dos Palmares, em 2013, pela Câmara Municipal de Salvador (BA). Em outubro de 2015, foi-lhe outorgado o título de cidadão paulistano, em Sessão Solene na Câmara Municipal de São Paulo. É conselheiro do Museu Afro Brasil, em São Paulo.

Diálogos Ausentes: o Negro na Arte – Literatura
com Mariana de Matos, Oswaldo de Camargo, Janine Rodrigues Nascimento e Roniel Felipe
mediação Diane Lima
terça 9 de maio de 2017
às 20h
[duração aproximada: 90 minutos]
Sala Multiúso (piso 2) – 86 lugares

Entrada gratuita

distribuição de ingressos:
público preferencial: duas horas antes do debate, com direito a um acompanhante
público não preferencial: uma hora antes do debate, um ingresso por pessoa

[livre para todos os públicos]

A dança da vida em “Casa de Portugal”, contos de Sergio Ballouk.

*Ricardo Riso

Tratar de diferentes momentos do cotidiano, trazer o espaço das famílias negras, suas histórias, manifestações afetivas, solidárias e conflitantes inseridas no racismo da sociedade brasileira, demonstram-se com leveza em uma escrita que aparentemente se revela descompromissada, mas que lida com situações sérias nas pequenas narrativas de Casa de Portugal, reunião de contos do escritor Sergio Ballouk. 


São histórias comuns em ambientações negras. Cenas reconhecíveis para muitos de nós, por isso envolventes como passos de dança no desenrolar dos enredos, com um estilo que preza a economia das palavras nas descrições de imagens e personagens, nas dificuldades, nas alegrias, nas inseguranças, nos anseios, nas situações inesperadas regidas pelos mistérios da vida. Dessa maneira, são expostas contradições, fraquezas e fortalezas de pessoas tão próximas, como nossos tios, avós, namoradas, amigos, filhos… 


O fascínio do viver, com suas sequências indeterminadas de vitórias e derrotas, pulsa nos contos de Ballouk diante de finais que surpreendem, intrigam, levam ao riso, à reflexão, ao arrebatamento em espaços como o baile e a amizade, na sala da faculdade, nas partidas de futebol, na dureza da casa inundada pela enchente e a indiferença do poder público e da mídia, nas tensões de uma visita ao shopping center, nos questionamentos agudos das crianças, nas conversas de acaso num ponto de ônibus… 


Contribui a edição do livro em um formato aconchegante que muito facilita a leitura,, uma realização de Marciano Ventura, editor da Ciclo Contínuo. Tal cuidado valoriza as treze narrativas de Ballouk, que emocionam com a sutileza e sagacidade de um bom contador de história. O autor conduz-nos a celebrar a vida, sem perder de vista as dificuldades enfrentadas por nós negrxs brasileirxs, com delicadeza, boa dose de ironia e sapiência. Um livro para ler com o melhor da música negra ao fundo.

 

Título | Casa de Portugal – contos

Autor | Sergio Ballouk

100 páginas

Ciclo Contínuo Editorial | 2016

Link para adquirir o livro

_________________________________________________________________________

*Ricardo Riso é Mestre em Relações Étnico-Raciais (CEFET/RJ). Com Henrique de Freitas organizou Afro-Rizomas na Diáspora Negra: as literaturas africanas na encruzilhada brasileira (Kitabu Editora, 2013). Autor do blog Riso – sonhos não envelhecem. Pesquisador e crítico literário, tem diversos artigos publicados em revistas especializadas no Brasil e na África. 

_________________________________________________________________________

 

Musical Neghrúmus líricos será apresentado no dia 31 de março, em São Paulo, no lançamento dos novos livros do escritor Cuti

 

O grupo Ayoluwa apresenta o musical Negrhúmus líricos, baseado na mais recente obra poética do escritor Cuti. O show  é parte da programação do lançamento dos livros Negrhúmus líricos e Tenho medo de monólogo & Uma farsa de dois gumes – Cuti.

AYOLUWA
Voz: Heloisa Vieira
Voz: Murilo Luz
Voz: Gabrielle Gabriellê
Flauta: Mariana Per
Fagote: Vitoria Marques
Violão: Renato Gama

 

Noite imperdível!

Duração – 40min

_______________________________________________________________________